DR. SOUINDOULA SIMÃO

DECENIO MUNDIAL DAS POPULACOES AFRODESCENDENTES (2012 -2022)

“NYINGI” ANGOLANAS ENRAIZARAM-SE NAS AMERICAS E CARAIBAS

E um dos principais factos que ressai da “Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana”, obra da autoria do imparável Nei Lopes, livro que acaba de ser reeditado em São Paulo, nas corretivas Edições Selo Negro.

Esta extraordinária presença linguística e antropológica, bem fixada, no Novo Mundo certifica a instalação, ai, de centenas de milhares de cativos arrastados do Quadrilátero.

 

Respeitável bloco, cobrindo 715 paginas, esta síntese de conhecimentos (nyingi, em lunda/luba/cokwe), prefaciada pela psicóloga Elisa Larkin, companheira, de origem norte-americana, do saudoso Senador Abdias Nascimento, e organizada, naturalmente, por ordem alfabética.

Contem cerca de 25 000 entradas dando informações sobre o continuum civilizacional niger no alem-Atlântico, em domínios de natureza social, económica e cultural.

Assim, nota-se, no registo biográfico, a inserção de, entre outras personalidades, dirigentes de insurreições, académicos, homens de ciências e letras, médicos, políticos, líderes religiosos, artistas, arquitetos, atletas, atores de cinema, jornalistas e ativistas civis.

Encontra-se, ai, referências sobre comunidades, grupos étnicos, associações e outras entidades.

O inventário fornece, igualmente, precisões sobre múltiplos acontecimentos históricos, e vários dados indo de navios negreiros a cemitérios.

Há, também, esclarecimentos sobre escolas músico- coreográficas, companhias de teatro e festivais.

Enfim, a relação proporciona elementos sobre a vida religiosa, singularmente, efervescente, dos afrodescendentes.

VERBETES

Algumas referências a apontar no registo das personalidades são as de Juan Lubola (1635 – 1664), líder marron, na Jamaica e de Musinga, chefe rebelde dos Becu- Musinga ou negros Mutuari, na Guiana, no seculo XVIII.

Uma alcunha inesquecível e do Príncipe de Bundo, figura social, controverso, da história da escravidão na Jamaica, entre os seculos XVIII e XIX.

Deve, também reter, o João Mulungu (1859-1876), líder do quilombo de Divina Patorra, em Sergipe.

Nota-se um verbete sobre Edison Carneiro (1912 -1972), historiador afro-brasileiro, autor do clássico “Negros Bantu”, publicado em 1937.

Releva-se um informe sobre a cantora lírica brasileira, soprano, formada no Conservatório Superior de Paris, Luanda Siqueira, que mereceu este apelido, por ter nascido, em 1975, ano da independência da sua terra de origem.

De salientar, entre as perpetuações etnonímicas, a, inesperada, notada nas margens do estuário de la Rio de la Plata, Lubolo.

Designa, igualmente, as “Sociedades Lubolos” ou os blocos “Negros Lubolos”, grupos carnavalescos de Montevideu, surgidos em 1874 e integrado por foliões brancos, com os rostos pintados, fantasiados de escravos.

OAXACA

Cujila e a comunidade de insurrectos que evoluía no Estado de Oaxaca, no México, no litoral do Pacifico, no seculo XVIII.

O autor de “Bantu, Males e Identidade Negra “ (1988), inscreveu, no domínio social, termos, bem reveladores, tais como cabunda, escravo fugido, que vivia em estado de cimarronagem ; cacanje, que designava o português mal falado ou mal escrito; sambo, negro que suportava, manhosamente, a humilhação esclavagista, nos EUA.

Incluiu, analogamente, mazombo, filho de português nascido no Brasil; minga, trabalho coletiva dos negros no Equador, malongue, companheiro, em Trinidad; cucufo, o diabo, e chimba, agir, com inteligência, no Peru.

Os “angolo-congueses” empregam, no Uruguai, o termo bambaquere, no sentido de carinho.

Nei Lopes confirma, neste capítulo, a influência dos mbika no Brasil, com a inclusão da expressão Fumo-de-Angola, que designa, recatadamente, a maconha; fumar o viril diamba, facto que podia levar para cafua, cela para castigo de escravos, do bantu kufua, morte ou ser marcado com calimba, ferro com que se assinalava os escravos teimosos, do bantu dimbu.

Simpáticos epicurianos, os Congo/Angola deixaram, irreversivelmente, o termo angoleiro, como o jogador da capoeira angola ou o adepto do candomblé angola.

Quanto a angolinha e um dos toques de berimbau no jogo da capoeira, tal como o Benguela-Sustenido ou o Cabula.

O pai do Dicionário Banto do Brasil (1996) indica que o candonga e um dos folguedos atestados no Equador.

Quanto ao termo canyengue , em uso na Argentina, e uma variante do tango, inicial, dança lasciva de negros portenhos, do bantu, kinyenge.

O povo djuka de Suriname exibe a dança bandamba, enquanto os Benguelas do Uruguai exibem a curimba, do umbundu, okuimba, cantar, e, os Atu em Trinidad e Tobago, organizam o ganga, uma bailada ritual.

ANGUILLA

A enunciação gumbé, na Jamaica e em Saint Thomas, e relativa a um tambor e a uma dança, enquanto nas Bermudas, refere-se a uma mascara tradicional.

Recordar – se-a que a ilha jamaicana atesta o conhecido ritual kumina, do bantu, mandar.

Uma das entradas da Enciclopédia e kabinda, que indica em Trinidad, um género de música e dança.

A manifestação coreográfica, ponto cardinal, expressiva, dos Bantu e referenciada como kofutu, uma dança dos maroons do Suriname, lando ou samba –lando, no Peru, maboba, na Republica Dominicana, madjoumbe, na Martinica, termo proveniente de mayombe,  mariyanda ou mariangola, em Porto Rico.

O investigador, sambista, identificou em Anguilla, o Mayoumba Folclórica Theatre e faz recordar que a catonga e uma brincadeira de roda das crianças no Uruguai.

A prática religiosa na diáspora alem-Atlântico e bem impregnada de componentes “congo-angola” como o inquice abanto atestado em alguns terreiros de Maranhão, o temível espirito errante, acufa, defunto, certificado nos cultos pernambucanos.

A inteligência medicinal atravessou o infinito kalunga. E, e atestado o alecrim-de-Angola, uma erva usada na preparação de banhos e defumações, da família de pimenteiro.

Os angolo-congues continuaram os seus cultos, o bacuro, espirito da natureza, do bantu nkulu, antigo. Precisaram, na Espanola, a designação bakoulou-baka, para designar o espirito maligno que perambulam nas noites, tal como o Bicho-Mongongo, personagem da mitologia afro-brasileiro.

Entre as numerosas divindades dos “Congos cubanos”, há os Baluande.

Enfim, o repertorio explica que em Santa Lúcia, nas Pequenas Antilhas, o kutumba e uma cerimónia religiosa.

De realçar na vasta bibliografia utilizada pelo historiador carioca, estudos tais como “Ta makuende yaya …” das cubanas Arosteguy e Villagas (1998), “Nzinga” de Glasgow Roy (1982) e “Um pedaço de Angola na Vila do João” de Cláudia Amorim (2002).

Obra de grande utilidade, a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana apresenta-se como o único inventário, em língua portuguesa, sobre este domínio e um instrumento, essencial, no conhecimento da história extramuros do Quadrilátero, que esta a espera da constituição do seu Commonwealth.


Jornal Correio de Uberlândia de domingo de páscoa


Caminhada solidária do dia 22/04/2012 - Visita ao Bairro Seringueiras



COM A PALAVRA O DR. SOUINDOULA SIMÃO


Caros amigos!


E, para mim, uma honra, depois de ter prefaciado a obra “O Reino do Kongo e a sua origem meridional” fazer a apresentação deste ensaio nesta cerimónia de lançamento.  

Após a publicação da obra « As origens do Reino do Kongo », Patrício Batsikama nos propõe, aqui, um estudo, na realidade, adicional a primeira, que tive, igualmente, o prazer de apresentar, neste lugar, meses atras.

Estalando-se sobre 328 páginas com um complemento de uma dezena de páginas de um corajoso índice remissivo e publicado sob a chancela da Universidade editora, o livro articula em sete capítulos, dois anexos e uma respeitável bibliografia.

A ilustração da capa e bastante significativa. Trata-se do busto realizado pelo escultor italiano, Francisco Caporale, sob instrução do Papa Paulo V, do Embaixador acreditado no Vaticano pelo Rei do Kongo, Álvaro II, Dom António Manuel Ne Nvunda, que faleceu, no dia 6 de Janeiro de 1680, em Roma.

CORPORA

                        Interessado a agregar, o mais possível, elementos orais e antropológicos do provável aporte do eixo meridional, fundador, do conjunto federal, o autor engaja-se num exercício, paciente, de reexame, a luz dessas tradições de carácter histórico, de princípios  construtores das estruturas sociais e políticas do Reino e da constante conceção edificadora, tríptico. E, não se priva de plantar novas propostas de leitura da geografia política da « União ».

 

Para não negligenciar nenhuma pista nas corpora, o neto de Raphael aprecia, prudentemente,   - pântano homofónico e homográfico obrigue !   -, as « coincidências »  linguísticas atestadas no falar da velha população ! kung ou Khoi ; arrastadas, desde, provavelmente, desde mais de 2000 anos, numa evolução de interações civilizacionais  francamente desequilibradas com   os migrantes, dominadores ou engolidores, bantu. A apresentação desses traços justifica-se pela recolha de lendas  supondo a presença de um substrato humano pré-kongo de tipo pygmaio.

A inevitável pista ovimbundu e examinada, bastante substancialmente, nas suas similitudes de natureza toponímica ou de conceção ligada as origens e a  organização das linhagens de poder ; boa direção de investigação, sendo as populações dos Planaltos centra, notoriamente, o resultado das diferentes vagas migratórias, vindas setentrião e do oriente.

O mesmo exercício de concordâncias bantu, confirmativo, entre os Kongo e os Herero, os Nyaneka-Humbe, e acessoriamente, os Kwanyama e os Cokwe, e proposto.

O autor  apresenta, em seguida, o essencial, das provas arqueológicas que confirmam a cristalização da especificidade kongo a volta do fim do primeiro milénio da nossa era, estabelecendo laços de parentesco com a cultura material (cerâmica, vestígios metalúrgicas etc.) com os Bantu meridionais.

A fim de avaliar o aporte do “Sul” a fundação do Kongo dia Ntotela, o autor não exclui as voláteis reconstruções míticas, contemporâneas, de génese, de base cosmogónica ou espácio-temporal.

LIGACOES AUSTRINAS

Examina, finalmente, sempre, nesta linha de investigação,   as ligações austrinas da formação da arquitetura monárquica instalada nos Planaltos de Pembacassi, à partir das irrefragáveis fontes histor, as das primeiras relações de autores portugueses, italianos e holandeses mas igualmente, as correspondências dos próprios soberanos do Kongo.

Esta análise e, também, feita a partir das releituras de investigadores contemporâneos.

O mérito da presente obra, que estala um estudo de grande visão, e de ter posto em filigrana, na base de fontes orais, arqueológicas e escritas, um povoamento antekongo, de estádio, visivelmente, neolítico, constituído de grupos pygmaios e strandlopers, comunidades bem negróides mais não locutores de línguas bantu, como nos tínhamos suposto.

Essas populações serão, gradualmente, absortas, antes do início da nossa era, pelos poderosos Bantu, metalurgistas, cuja uma franga ocupara  a região do Baixo Rio, à partir da floresta equatorial, mas cujo essencial, contornara, com razão, essa temível adensa barreira vegetal. Avançarão através das linhas de florestas tropofilas e savanas orientais e austrais.

Um dos reflexos históricos desta hipótese de esquema de expansão e o posicionamento, estratégico, avuncular,   do Ne Mbata, chefe do Estado oriental do conjunto federativo, facto atestado nas fontes escritas  e recitas kongo.

Enfim, a outra evolução indicativa e o reconhecimento pelos próprios Kongo, da presença, no seu seio, de componentes mbundu, quer dizer de assimilados.

Em suma, a presente análise confirma a nossa asserção sobre o facto de que os intensos movimentos migratórios dos Bantu ter constituído « períodos de grande dinâmica histórica e antropológica »  ; e, nas origens, o pais de Nimi a Lukeni não escapou a isso.


Simão SOUINDOULA

Historiador. Perito da UNESCO




PROJETO NANÃ BURUQUÊ COMPLETA 5 ANOS DE ATIVIDADES


Lançado no dia 26 de julho de 2006, o Projeto Nanã Buruquê Tambor de Angola completa cinco anos de atividades em Uberlândia. Desenvolvido em parceira pelo Triângulo Iniciático de Umbanda e pela Instituição Beneficente Amor Cristão, o Projeto não conta com qualquer tipo de subvenção ou apoio de órgãos publicos, sendo patrocinado por voluntários e pela comunidade. Nesse cinco anos de idade já participou de várias atividades locais ligadas à Cultura e à preservação do meio ambiente em Uberlândia, com uma proposta de investir no ser humano como ator principal de implantação das mudanças necessárias à existência de uma sociedade melhor, mais justa e igualitária.  

FESTA DE YEMANJÁ 2011 NO PARQUE SABIÁ

Seguem em rítmo acelerado, os preparativos para a 20ª Festa de Yemanjá que acontecerá no dia 18 de setembro no Parque Sabiá a partir das 15 horas. Os festeiros desse ano são Cesar da Oxum e Luiz Cesar de Oxossi, que já tiveram várias reuniões com a Yalorixá Maria Irene de Nanã, que é a coordenadora do evento. Foi protocolado na Secretaria Municipal de Cultura, um projeto detalhando as atividades e suporte necessário que pode ser disponibilizado pelo poder publico municipal que sempre apoia a realização da Festa.  

A direção do Triângulo Iniciático de Umbanda assim como toda a comunidade e organizadores pretendem fazer com esse aniversário marque época pela importância de completar duas décadas de realização, o que não é muito comum nos dias atuais. Por isso convidamos a todos que venham participar e enriquecer com alegria e entusiasmo esse nosso encontro.

 TRIUM NEWS

ENCONTRO NACIONAL ABADÁ DE CAPOEIRA MOVIMENTOU A CIDADE




Aconteceu nos dias 18, 19 e 20 de dezembro de 2010 nas dependências do Ginásio Poliesportivo do Uberlândia Tênis Clube, o encontro da Associação de Apoio e Desenvolvimento da Arte Capoeira. Organizado pelo Instrutor Sardinha, o encontro foi desenvolvido em três dias consecutivos de sexta-feira a domingo com o seguinte cronograma: dia 18 20h no Espaço Graça do Axé, palestra e debate sobre a Arte Capoeira; dia 19 a partir das 16h, Batizado e troca de cordas no Ginásio do UTC; dia 20 a partir de 10h no Parque Sabiá, aula aberta de capoeira para quem quisesse participar.


Estiveram em Uberlândia capoeiristas do Rio de Janeiro, de Mato Grosso, Goiás, além de outras cidades do Estado de Minas Gerais. O evento contou com a presença de um grande público e com a participação maciça de capoeiristas mirins, o que garante que a Arte não morrerá. Parabéns ao Mestre Sardinha e toda a sua equipe.

PROJETO DE CAPOEIRA ZIG ZAG É DIPLOMADO EM EVENTO DA SMC


Como não podia deixar de acontecer, mais um projeto da capoeira da comunidade, desta vez proposto pelo capoeirista Elivan, é aprovado no Edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e a periferia de Uberlândia mais uma vez será agraciada com este importante aparelho de difusão da cultura negra, parabéns a todos os voluntários e participantes do Projeto.


 

RITOS DA CULTURA AFRO BRASILEIRA É TEMA DE PROJETO CULTURAL


A historiadora Gláucia Domingues da Universidade Federal de Uberlândia é autora de um projeto que vai pesquisar os rituais das religiões afro-brasileiras. Fato inédito para uma cidade onde o poderio das religiões católica e protestantes tem forte influência no domínio da mídia. Esta atitude corajosa desta jovem estudiosa da cultura afro é um marco na história recente da cidade, num momento em que busca formas de promoção da igualdade racial e diminuição do preconceito. Sem a menor sombra de dúvidas esse trabalho será uma importante ferramenta nos parâmetros da Lei 10.639, que prevê o estudo da história africana e da cultura afro-brasileira nas escolas em todos os níveis, servindo ainda de mola propulsora da identidade e da autoestima deos praticantes das religiões de matriz africana na cidade. Todo o povo de Santo abraça este projeto e dá os parabéns para esta iniciativa.  


HIP HOP TEM REPRESENTANTE NO SELO AMIGOS DA CULTURA


A família hip hop de Uberlândia está em festa nesse mês de dezembro. No último dia 18 Ormezinda Abadia dos Santos Ferreira recebeu o diploma do Sêlo Amigos da Cultura. É a primeira vez que uma mulher negra recebe esta honrosa distinção na cidade, o que sem dúvida é um reconhecimento do trabalho desta mulher guerreira que faz dos seus momentos de descanso horas incontáveis de serviço à comunidade. Ela é a idealizadora, patrocinadora, produtora, incentivadora e tantos outros adjetivos que se possa encontrar para crianças, jovens e adolescentes do Bairro São Jorge, periferia da região sul onde foi criado o grupo de dança Manos e Minas do Hip Hop, o mais premiado no gênero por aqui com participações no Festival de Dança do Triângulo, no Festival de Artes Negras, se tornando uma referência.  


BANDA BEM NO CLIMA GRAVARÁ SEU PRIMEIRO DVD DA CARREIRA

No mesmo evento em que o HIP HOP subiu ao pódium, a Banda Bem no Clima recebeu o diploma de aprovação de seu projeto de gravação do primeiro DVD através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O vocalista e líder Band Osmar Magalhães esteve representando o Grupo na solenidade e demonstrou toda a satisfação pelas grandes conquistas que a Banda vem conseguindo. No dia 5 de dezembro participou da gravação do DVD do Projeto Cidade da Música, dentro do Sêlo Uberlândia, que ocorreu na Arena Multiuso do Sabiazinho, juntamente com mais 9 Bandas, numa noite memorável. A comunidade negra uberlandense tem cada vez mais despontado através do trabalho dessa juventude que deixa claro que sabe o que quer e aonde que chegar. Parabéns a todos os integrantes da Banda.


A BELEZA NEGRA É DESTAQUE COM GRANDE FESTA  EM ARAGUARI

Aconteceu na última sexta-feira dia 04 de dezembro na sede da Associação de Moradores do Bairro Paraíso na cidade de Araguari, a Noite da Beleza Negra, sob a coordenação do Mestre Zulu da Afrikapoeira, com a presença de autoridades locais como o vice prefeito, o comandante da Polícia Militar, o Diretor da Diretoria de Assuntos Afrorraciais de Uberlândia Carlos Silva, o Coordenador do Coletivo de Entidades Negras do Triângulo Mineiro, Dr. Luiz Cesar Cardoso, o Jornalista Ely Fidélis, o Babá Washington de Ifábumi, o Coordenador do Festival de Dança do Triângulo e Coreógrafo do excelente Grupo de Dança Terracota de Uberlândia que fez apresentação, o competente Dickson Duarte e outras personalidades negras. Eventos dessa natureza são uma importante ferramenta de afirmação da identidade e da autoestima e precisam ser incentivadas. Por isso tudo, estão de parabéns os organizadores pela iniciativa.

Lindas meninas e meninos desfilaram trajes sociais e roupas de banho, com grande empolgação e participação da comunidade que lotou as dependências do salão de festas da Associação de Moradores do Bairro Paraíso, numa noite memorável. Podemos afirmar com certeza que a trajetória do Movimento Negro em Araguari se divide em dois momentos: antes e depois da realização do evento que sem dúvida nehuma foi uma alavanca para impulsionar a autoestima de jovens, adolescentes, crainças e de adultos que ainda convivem num sistema com muitas desigualdades como podemos observar na sociedade brasileira. Mas a galerinha está acordando e precisa ser encaminhada para buscar o que nos tem sido tirado desde a fundação do País.


O GRUPO TERRACOTA FOI ESCOLHIDO O MELHOR GRUPO DE DANÇA




DICKSON DUARTE DO TERRACOTA O MELHOR COREÓGRAFO




O SORRISO DE VENCEDOR DO JOVEM SAMUEL PRIMEIRO LUGAR MASCULINO




O COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS DO TRIÂNGULO MINEIRO SE FEZ PRESENTE

A RAINHA DA NOITE FOI A JOVEM GABRIELA CENTRO DA FOTO

Não basta os velhos e prontos discursos acadêmicos que nortearam o direcionamento do Movimento Negro no Brasil durante toda a sua vida. É necessário uma nova postura que saia mais do plano da retórica para a realização de atividades práticas que mexam com o cotidiano de vida de milhares de pessoas negras que reconhecem a necessidade de que as mudanças ocorram, mas não se sentem estimuladas a depositar suas esperanças em ideologias e ideólogos que não se propõe ao enfrentamento das dificuldades com uma atitude pro-ativa e de ação prática. Não convence a crítica estéril, orfã de proposições e sem sustentação exeqüível. Não se trata de dar algo em troca da adesão, mas sim de caminhar junto, pegar no cabo da enxada junto, de ir pra Rua junto, de participar do mutirão junto. Não mais convence ficar apenas planejando e indicando o que os outros tem que executar; é preciso por a mão na massa, ter credibilidade. Para o Coordenador do Coletivo de Entidades Negras do Triângulo Mineiro(Dr. Luiz Cesar, lado direito da foto)CONETRIM, as desigualdades só serão vencidas a partir do momento em que a interferência da Comunidade Negra no processo de construção sócio-político-econômica do País, seja transformada em representatividade em todas as esferas de poder, de preferência tendo em mira a Presidência da República. É preciso mirar as estrelas como objetivo, mas trabalhar de verdade. Chega de discurso sem obra para lastrear. Se alguém quer credibilidade e confiança, puxe a caminhada e mostre a cara com coragem, pois nós precisamos que o espírito de Zumbi esteja presente em cada criança, cada jovem, estamos carentes de líderes legítimados pela trajetória de luta pela causa, que deixaram a zona de conforto e se arriscaram em prol da coletividade.




COMUNIDADE UMBANDISTA REALIZA FESTA EM HOMENAGEM A OXOSSI NO PARQUE SABIÁ


Sob a coordenação da Yalorixá Mãe Irene de Nanã, da Tenda Coração de Jesus, foi realizada no último domingo dia 29 de novembro nas dependências do Parque Sabiá, no Quiosque às margens da represa, mesmo lugar onde ocorre a tradicional Festa de Yemanjá,  a Festa em Homenagem ao Orixá Oxossi, muito querido e cultuado em Uberlândia e no Brasil. A homenagem foi um agradecimento ao grande provedor pela fartura desse ano que termina e também pela proteção dada não só aos filhos do Orixá, mas a toda a corrente dos cultuadores das religiões de matriz africana num ato de congraçamento e união de todas as Nações. Contando com a participação de comunidades de terreiro de todas regiões da cidade, a festa teve início às 16h, terminado por volta de 18:30. Foi oferecida ao Orixá e posteriormente distribuída aos presentes, uma farta mesa de frutas, compartilhada por todos num ambiente de muita harmonia e satisfação. Ao som dos atabaques os ogãs puxaram a Curimba em louvação ao dono da mata, aos mais velhos e aos outros Orixás, num ritual mágico e envolvente onde aberta a gira, puderam descer os caboclos para abençoar aquele momento de pura energia e confraternização. Essa é mais uma tradição do povo de Santo que deverá retomar o seu lugar no calendário anual da cidade, fortalecendo ainda mais a corrente de fé na luta contra a discriminação e o preconceirto reinantes nessa que é uma cidade modelo para o Brasil em termos de educação, mas deixa muito a desejar no que tange à inclusão e respeito à diversidade cultural e religiosa. Parabéns ao povo de Santo e à todos que compareceram.


A presença das crianças é a garantia de renovação e continuidade da tradição


UBERLÂNDIA REALIZA A PRIMEIRA CAMINHADA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA



Apesar de toda a dificuldade encontrada ou interposta no caminho, O Triângulo Iniciático de Umbanda, a CUFA Uberlândia, o Coletivo de Entidades Negras do Triângulo Mineiro, realizaram em pareceria, no dia 21 de novembro de 2009, a Primeira Caminhada Contra a Intolerância Religiosa, a Violência e o Extermínio da Juventude Brasileira, o que foi um marco para uma região que ainda encontra muitos resquícios do escravagismo e forte influência da religião dominante, mesmo dizendo nosso Constituição que o Estado Brasileiro é laico. Com concentração na Praça Clarimundo Carneiro a partir de 9h, ocorreram várias apresentações culturais tais como: capoeira, dança de rua, hip hop, batalha de bee boys, Negro de Estilo, performance Samuray por Wesley Chan, Coral de Crianças do Grupo Tambor de Angola, Curimba do Abaçá de Nanã Buruquê, Tenda Coração de Jesus, Tenda dos Orixás, Pai Sérgio de Omulu. Estiveram presentes e participaram da Caminhada, integrantes do Grupo SHAMA(Comunidade LGBT). Percorrendo as ruas centrais de Uberlândia, o cortejo saiu da Praça Clarimundo Carneiro às 16h, subindo pela Rua Silviano Brandão, tomando a Av. Cesário Alvim, até a Rua Duque de Caxias retornando à Praça pela Av. Floriano Peixoto. Durante todo o trajeto foram entoados pontos de Orixás, guias e capangueiros, com cada uma das casas representadas, carregando suas faixas e bandeiras. Todos participaram sem qualquer tipo de discriminação, caminhando com fé em busca do reconhecimento da igualdade de direitos quanto à liberdade de culto, contra qualquer intolerância praticada contra o povo de Santo, principalmente através dos veículos de comunicação de massa aos quais não se tem acesso, não havendo como fazer um contraponto contra a propaganda negativa de seitas fundamentalistas. A Caminhada foi um grande sucesso e alcançou o objetivo previsto, que é unir para resistir e pelo comprometimento dos que se fizeram presentes tem-se a certeza de que este é o caminho certo.


PROJETO ALDEIA DE CURUMIM - COLÔNIA DE FÉRIAS NA UMBANDA


Sob a coordenação da professora Magda Godói, respeitada pedagoga mineira, está sendo desenvolvido o O Projeto Aldeia de Curumim, nesse ano de Oxossi, já mostrado em nossa página inicial. Com o trabalho voluntário de toda a equipe envolvida no Projeto, professora Magda, Maria Adelaide Diniz, Jane Pereira, Regina Aparecida, Aline Pereira, Fauster Victor, Aline Pereira, Caroline Pereira, Luiz Cesar, a Instituição Beneficente Amor Cristão e o Triângulo Iniciático de Umbanda, dão a sua contribuição para que as crianças estejam protegidas dos perigos das ruas. Nossos agradecimento à toda a equipe de trabalho e aos pais que há mais de 15 anos confiam no noso trabalho e na nossa fé.



GRUPO TAMBOR DE ANGOLA REINICIA ENSAIOS NO MÊS DE FEVEREIRO



Um grupo de percussão criado para resgatar e difundir a cultura musical afro-brasileira, assim é o Tambor de Angola. Formado por crianças e adolescentes, meninos e meninas, tem como base as manifestações musicais tradicionais  com ritmos indígenas, do Congado, do Jongo, do Maracatu, Bumba Meu Boi, das cantigas e pontos de Umbanda e Camdomblé.Na oficina de percussão são ministradas aulas de canto, lutieria, onde as crianças aprendem a fabrica instrumentos a partir de materiais recicláveis. Fazendo apresentações pela cidade em diversas ocasiões festivas este é um projeto de promoção da autoestima da comunidade envolvida; sejam os integrantes do Grupo ou seus pais e responsáveis, que tem a oportunidade de acompanhar e assitir grandes apresentações e o fomento e preservação de nossos valores ancestrais. Qualquer criança pode participar das oficinas, mas a participação no GRUPO MUSICAL, está condicionada ao preenchimento de mínimos requisitos de aptidão, acuidade vocal, habilidade com as mãos e ouvido afinado.                                                              

LUIZ DILLAH E EDSON DENIZARD - GENTE NOSSA

Nos dias 9 e 10 de janeiro de 2009, estiveram se apresentando na cidade 2 dos maiores expoentes da música popular brasileira. Nada mais nada menos que os irmãos Luiz Dillah e Edson Denizard, que apesar dos constantes compromissos fora de Uberlândia, sempre procuram brindar seu público cativo com as impecáveis apresentações em que fazem uma minuciosa e detalhada leitura da música popular brasileira, buscando as verdadeiras pérolas produzidas por nomes imortais como Cartola, Paulinho da Viola, Pichinguinha, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus e tantos outros. Além da interpretação desses autores consagrados, Luiz Dillah é um pesquisador da música popular fiel às suas raízes de menino do interior de Minas Gerais, que cresceu ouvindo moda de viola, o canto das lavadeiras de roupa na beira do rio, a Folia de Reis, o Congado, as tradicionais escolas de samba, a capoeria, as curimbas dos terreiros de Umbanda e Candomblé. Dessa mistura de sons e ritmos aliados a um talento sobrenatural, formou-se um músico com uma leitura original do universo musical, que faz questão de deixar extravasar através da sua sensibilidade, toda a magia e o encanto da melodia. Participando dos festivais pelo Brasil, colecionando títulos, conhecendo tendências novas e talentos, possuindo luz própria, abre espaços para os que estão chegando e cada vez mais se consolida como expoente do meio cultural. Quem assiste aos shows desses meninos se enche de prazer, se extasia. Parabéns! 

TRABALHOS PREMIADOS DO ARTISTA PLÁSTICO ARLEN COSTA





DIA DA CRIANÇA NA UMBANDA

Aconteceu no último dia 27 de setembro de 2008, a Festa de Cosme e Damião da Instituição Beneficente Amor Cristão. O evento se deu na Av. Emídia Saraiva no. 314, no Bairro Carajás. Foram sevidos 300 sanduíches, 320 refrigerantes em lata, 6 fardos  de refrigerante 2 l, 6 kg de cocada branca, 30 kg de bolo recheado com cobertura, 10 kg de pipoca salgada, 400 sacos de pipoca doce. Participaram cerca de 200 crianças com seus pais e outros acompanhantes.


PROJETO NANÃ BURUQUÊ FARÁ CAMPANHA DE PREVENÇÃO À DENGUE


ANIVERSÁRIO DO PROJETO NANÃ BURUQUÊ - 2 ANOS

No mesmo dia 27 de setembro foi comemorado o aniversário de 2 anos do Projeto Nanã Buruquê de Preservação Ambiental. Na oportunidade foi condecorado com diploma e a medalha Nanã Buruquê do Mérito Ambiental, o Tenente Fabiano Alexandre, do Exército Brasileiro, que também recebeu a medalha, assim como o agente ambiental voluntário Nilson Eustáquio, da Comunidade do Bairro Lagoinha.

PENSÃO ALIMENTÍCIA

Você sabia que a obrigação de prestar alimentos aos filhos não cessa com a maioridade. É verdade, caso o filho comprove estar matriculado e frequentando curso universitário, ou que esteja impossibilitado de se manter à custa do próprio esforço, o pensionamento continuará até os 24 anos de idade, ou até que cesse a incapacidade para o trabalho. Esse tem sido o entendimento da jurisprudência.

ESCRAVIDÃO DOMÉSTICA

Você sabia que a assinatura da Lei Áurea não significou o fim da escravidão para as mulheres que trabalhavam nos serviços domésticos das fazendas? Isso mesmo. Em muitos casos, os senhores não queriam se ver privados das intimidades que obtinham à força, o que era motivo de inumeráveis castigos impostos pelas senhoras de engenho. Por outro lado por causa dessa proximidade com esses homens brancos, as escravas domésticas não eram aceitas pelos outros negros, não tendo a quem se socorrer. Com base nesta estrutura colonial foi formada nossa sociedade, surgindo expressões como serviço de negro para os trabalhos pesados que os cidadãos brancos não realizavam. Mas a mulher negra sem dúvida, a mais sofrida dessa época, teve o seu destino desde então associado a uma história de submissão e abuso. Esta maneira de se tratar a mulher negra acabou sendo transferido para a sociedade machista e preconceituosa que nascia. O homem que se formou nessas circunstâncias não via na mulher mais que um objeto à sua disposição. Esse é o motivo de ainda existirem tantos crimes de assacinato cometido contra mulheres, espancamentos, mutilações. A punição severa é ferramenta indispensável para diminuição de tais atrocidades, mas também é necessário educar melhor os meninos, não lhes fornecendo no ambiente doméstico, o exemplo de homens covardes que espancam mulheres.

               GRUPO TAMBOR DE ANGOLA JÁ REINICIOU ENSAIOS


DIA DA UMBANDA

O dia da Umbanda por muitos comemorado em 15 de novembro, não é uma data de consenso no meio umbandista. Embora exista uma grande corrente que acredita no seu surgimento no ano de 1908, a própria história do Brasil trata de por alguns reparos nesse entendimento. A própria palavra Umbanda que no nosso conceber é de origem banta, que não existe no vocabulário indígena que jamais teve contato com as formulações vedas, do sânscrito como querem muitos, dá o norte e indica os rastros que nos conduzem às civilizações ancestrais do antigo Reino Congo-Angola. O Embanda, sacerdote curandeiro, médico, era um iniciado na alta magia, no conhecimento das plantas e dos mecanismos de comunicação com os ancestrais. Alguns mitos começam a cair quando a ciência comprova que o fóssil humano mais antigo encontrado em terras americanas é de um indivíduo de características negróides e do sexo feminino. Desafiar tais descobertas sem que se tenha o menor lastro científico é tarefa muito arriscada. 

Pintor cubano Iván González Delgado na quinta edição da Coopearte na ilha de Luanda. Exposição de artes plásticas na Galeria Celamar

Simao Souindoula

É a apreciação que pudemos fazer depois da visita atenta a admirável exposição que foi montada, recentemente, na Galeria Celamar, na ilha-tesouro, na sequência da realização do último atelier deste programa colectivo de incubação plástica. Inaugurada pela própria nova Ministra angolana da Família e Promoção da Mulher, Ginoveva Lino, na presença de várias personalidades tais como do, coincidentemente, coopeartista, Francisco Van-Dúnem, Director do Instituto Nacional de Formação Artística, que representou, pela ocasião, a discreta direcção do Ministério da Cultura, em inevitável mudança, do Manuel Sebastião, o consciencioso Director dos Assuntos Culturais da impetuosa Província de Luanda e de Shimon Misrachi Pipchow, Director da generosa Fundação Arte e Cultura, principal instituição mecena desta iniciativa. Tomaram, igualmente, parte na agradável cerimónia de abertura, responsáveis das empresas apoiantes a grupal oficina da rua Mortala Mohamed, tais como a petrolífera francesa Total, a sensível e nacionalista Banco de Fomento de Angola, a revivida Aliança Francesa e o conjunto das órgãos de comunicação públicos do país. Notou-se, também, a reconfortante presença de representantes do Corpo Diplomático, acreditados nas terras do omnipresente "Pensador", que seguiram, com muita satisfação, a animação multidimensional, ao mesmo tempo, instrutiva e relaxante, com vozes e grupos habituados da casa tais como a promitente poetiza Zuline Bana, a cantora Tunicha Miranda, com o seu eficaz "play back", os conjuntos de teatro, de raiz, Uachala Uachala e Mona Muazanza e as renovadoras jovens percussionistas afectas a galeria. Registou-se, aí, igualmente, a participação da Solange Escosteguy Cardoso, Embaixatriz do "clonado" Brasil nas terras da "Regina" Nzinga, artista plástica de talento, que dirigiu, durante o "Quinto Reencontro" ilhéu, sessões sobre o tratamento e a utilização do "papier mache". Participaram no estúdio da "Ilha" artistas, profissionais e amadores, originários de Austrália, Brasil, Cuba e Venezuela e, naturalmente, criadores nacionais, residentes em Luanda, mas igualmente, no interior do pais, nomeadamente dos Planaltos centrais. O circuito expositivo ostentou cerca de uma centena de obras decorrentes de vários domínios plásticos tais como a clássica pintura o óleo, a atraente aplicação acrílica, a reformadora utilização de técnicas mistas, a relevante tecelagem, a milenária escultura sobre madeira ou pedra, a proveitosa cerâmica e a sensível fotografia. As temáticas fixadas pelos artistas, em estilos, muitas das vezes, abstracto, impressionista ou figurativo, articularam-se em três eixos principais, a saber, as inevitáveis tradições, a incontornável bem-amada mulher e as irrecusáveis dificuldades sociais. Crenças hidrogónicas Notou-se, no primeiro registo temático, as antiquíssimas tradições pictográficas e iconográficas, as crenças rituais assim que cosmogónicas e hidrogonicas bantu, hoje, largamente maioritárias, no pais, as representa-ções antropomórficas, a expressão musical e coreográfica tradicional e os jogos infantis. Registou-se, no segundo capítulo, a emotiva sublimação da fantasiadora e colante estética da mulher e do amor. Enfim, a ultima grande tendência a assinalar foi a relativa a vertiginosa contemporaneidade com o ambiente sócio-psico-terapêutico dos mercados com a presença da venerável "Tia" quitandeira, a extraordinária coragem dos mutilados de guerra para a sua alfabetização e os irregulares e muito inconfortáveis musseques de Luanda, cujo início de desaparecimento já foi, felizmente, anunciado. De salientar, igualmente, o realce da expressão da magnifica fauna e os esforços actuais de reconstrução nacional, absolutamente, espectaculares da terra do "coração das liberdades" e a representação do continente africano ainda acorrentado e a exaltação da convicção patriótica. O campo das tradições foi explorado, no domínio da pintura a óleo, por vários artistas de alto nível a exemplo do excelente Boaventura Nzangela Simão, numa admirável composição inserindo perfis de máscaras cerimoniais e símbolos clanicos; a imensa revelação da rua MM, Francisco Makunfundu Ndongala, com as suas obras muito apuradas, na linha das melhores obras que são, hoje, produzidas em África, o delicado impressionista Vargas Mateus, especialista das multidões, o surpreendente Tiupa Fonseca, autor de telas originais multi-facetadas e o Nsimba Diongo Domingos, com as suas harmoniosas reconstituições de inspiração hidrogónica. Este mundo, profundo das aguas, que sempre fascinou, não deixou insensível o crente Dos Santos, este Alfredo Paulo, que plantou, bem enigmaticamente, uma mesinha em pleno oceano Atlântico. Curioso paralelismo, o pintor cubano Iván González Delgado, revelou estar bem albergado pelas mesmas lendas que atravessaram as vagas do Atlântico nos porões das naus negreiras. Essas crenças e outras estão, cada vez mais, indecifráveis com obras de tais como as da excelente Madalena Coelho, a experiente "Le", que propôs verdadeiras instalações-aplicações pintadas. Citar-se-a na sequência desta mão hábil, na mesma vénia, Dom Sebas Cassule, Kingebeni Kilaka, Nelson Ferraz, Silvio Erineu, Jeovany e Alberto Wilson Sovili, o segundo pintor proveniente da cidade de Huambo. Notou-se a autoridade do veterano Avelino Kenga que insistiu na valorização de símbolos de mascaras, na dinâmica da redenção do infinito património etnográfico nacional; o quadro bastante referencial de Sérgio Moises Massa, que fixou um tocador de arco musical; o Sérgio Adão que se destacou com duas obras bem angolanas, nos seus tratamentos picturais e nas suas molduras; o trio angolano-brasileiro composto de Virgínia Romão, Boaventura Nzangela e Andrea Barth que evocou, num agregado, finalmente, surrealista, as persistentes crenças hidrogonicas — a ilha das sereias e os pincéis das duas "kianda" incitando fatalmente a isso! Pictográfico De relevar a contribuição de Van, tornado, definitivamente, pictográfico, recipiendário, para 2008, do Premio Nacional da Cultura, que transpôs a importância da família na preservação das tradições e o radiante arranjo pictural do talentoso Massala Tembo, "O Leão", simbolizando uma máscara solar. As indeclináveis, sedutoras, "mwana mpwo", vindas do fabuloso Oriente angolano, retornaram, com a composição do jovem Gika Biangano. O simpático Pedro Hospital, líder dos artistas plásticos na antiga "Nova Lisboa", na sua inicial pintura, tentou afigurar tamborzinhos da terra. As relações entre a pesada herança cultural e a modernidade foram realçadas numa obra, duetista, realizada, no decurso do work shop, pelo inevitável melómano — plástico Sozinho Lopes e o seu colega Diavita. Humilde continuadora da angolanidade nas artes plásticas do pais, nos traços do seu mentor, o elegante e saudoso Viteix, e abertamente colectivista, Marcela Costa, exibiu, com a participação da sua "irmã" Teresa Rafael, uma extraordinária compostura tecida na qual as aplicações fazem sair nitidamente mensagens ligadas a necessidade, além das consoladoras percentagens arrítmicas, da protecção do género. A inspiração geométrica, que foi registada na "Quinta Incubação", de tendência forcamente antropocêntrica ou cosmogónica, foi também a escolha do sempre insondável Mayingui, o vanguardista Sabby, as de Baltazar Batalha e do outro Santos, este Zeca. Destacou-se, nos domínios da escultura e da cerâmica, a montagem multi-antropomorfa de Dito Pacheco e as extraordinárias moldagens, verticais e horizontais do prodigioso Makiadi Mawanda. Constatou-se, com grande surpresa uma obra de cerâmica do espectacular escultor sobre madeira, o labiríntico João Mabuaka Mayembe. E um bom sinal de polivalência técnica! As mulheres foram, naturalmente, objectos de todas as atenções. Os seus distintos rostos, nos mercados, foram restituídos pelo impressionista João Massala Tembo, o Luís Mateus Yassoma, com a digna "Tia Quitandeira", o Paulo Bemvindo que elogia mulheres que não param, Prudência Margareth José que realce o trabalho como critério de feminilidade na mesma óptica que o virtuoso Domingos Nsimba Diongo, que defende "A leitura para todos", e sobretudo para o género desfavorecido. Os jovens pintores Alves Manuel e Tchinji compuseram na mesma linha inspiradora. Cunho civilizacional Quanto ao Nsaniezi Samuel Zakani, ele elogia a vital maternidade à semelhança de Gelson Gomes que inscreve o ardente de-sejo de maternidade das mulheres angolanas. As cativantes formas femininas foram, evidentemente, postas em relevo pelo generoso e obstinado pintor Ngiandu Kapela e os seus confrades Sérgio Massa e Mário Branco Lima assim que pelo generoso escultor, o duplamente bem nomeado, Garcia Ndongala Kiala. Bem libertadas, as próprias pintoras sublinharam a forca da estética feminina com a corajosa bolivariana Niesa Beatriz Guerra, a radical australiana Stephanie Sheppard e a conquistadora angolana Saco Dala. A adversa contemporaneidade retém também a meditação dos coopeartistas. A omnipresente brasileira Andrea Barth, abertamente alter-mundialista, bem magnetizada pela semelhança visual e geométrica das favelas cariocas com os musseques de Nxi a Loanda, desatou a sua emoção em coincidência com o pintor naif angolano, meio "brasileirado", o bem nomeado Gelson Gomes que optou pela retratação, vista da contra praia, da famosa baia de Luanda, em regeneração. Os reforços de renovação da cidade capital mas igualmente da reconstrução e construção do pais inteiro, que estão arduamente em curso, foram fixados pelo jovem pintor Mateus Quirimba, espectacular dinâmica de vitória e renascença da pátria do Rei Mandume que foi simbolizada num vigoroso punho, selado numa quase viva escultura de Baltazar Batalha. O jovem fotógrafo Constâncio de Carva-lho realçou bem esta evolução, rápida, de Angola, justapondo imagens de um edifício destruído e o recente e altaneiro "building" da Sonangol. Quanto o pintor Panzo aprontou uma das representações de carácter social a mais pungente do estúdio da ilha, do frontispício da martirizada Angola, com a demonstração da coragem de um compatriota, vítima de um cobarde mina anti-pessoal, engajado a alfabetizar-se. Este esforço, bem comovente, simboliza o do próprio país. Conclusão A exposição da ilha dos "nzimbu" permitiu apreciar uma interessante amostra da criatividade plástica em Angola. E, as observações feitas na sequência deste certame autoriza afirmar, em substância, que há uma nítida estabilização das técnicas expressivas dos artistas plásticos angolanos e uma exploração mais perspicaz dos temas a cravar. São essas duas realidades que assentam a cunho civilizacional da arte angolana contemporânea, conjunto de características que garantira as artes visuais do nosso pais de não desaparecer, corpo e alma, no implacável "melting pot" universal.


Simao SOUINDOULA
Membro do Comite Internacional do
Projecto da UNESCO "A Rota do Escravo"
C.P. 2313
Luanda (Angola)


 Grande orgulho e uma referência ímpar para o povo Angolano e para este Portal que tem a grande honra de tê-lo como colaborador. Ao Sr. um axé do povo brasileiro.

 
SIMÃO SOUINDOULA  ELEITO VICE-PRESIDENTE DO CCI DO PROJETO "A ROTA DO ESCRAVO"
 

Luanda  - O historiador angolano Simão Souindoula foi eleito, nesta quarta-feira, em Paris, França, vice-presidente do Comité Científico Internacional do Projecto “A Rota do Escravo”, do organismo das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

 

A eleição do angolano, para um mandato de dois anos, ocorreu durante a primeira sessão de trabalho do novo Comité Científico Internacional desta instância da Unesco, que reuniu 20 personalidades com o intuito de definir, em vários painéis, os novos eixos de desenvolvimento dos programas deste importante projecto.

 

A presidência foi atribuída ao historiador afro-americano, Michael Gomez, professor na Universidade de Nova Iorque, enquanto que o Secretariado será assumido por Shihan de Silva Jayasuriya, do Sri Lanka, actualmente professora na Universidade de Londres.
 

Este triumvirato constitui o Bureau da referida instância, cuja principal tarefa será a de acompanhar a execução da implementação dos programas adoptados.
 

Os peritos dessa instância da Unesco propuseram, durante o certame, a realização de actividades de carácter memorial, documental, linguístico e antropológico, assim como o lançamento de várias produções culturais evocando este episódio dramático da história económica dos mundos árabe e asiático esclavagistas e da Europa mercantilista.

 

Simão Souindoula foi nomeado membro deste comité no dia 22 de Dezembro último, pelo director-geral da UNESCO, o japonês Koichiro Matsuura, em reconhecimento ao pesado tributo demográfico pago pelo actual território angolano ao desenfreado tráfico negreiro.

 

Esta instância de orientação do referido projecto, que acaba de ser renovada à metade, é constituída por 20 especialistas oriundos, além de Angola, da Argentina, Brasil, Canadá, Costa Rica, Cuba, Dubai, França, Gana, Grã-Bretanha, Haiti, Jamaica, México, Ilhas Maurícias, Moçambique e Noruega.

CONFERÊNCIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL


Relações raciais em debate: II CONAPIR começa na próxima quinta-feira (25/06)
Durante quatro dias, Brasília será o centro das discussões sobre as políticas para um país mais justo sob o ponto de vista das relações étnico-raciais. É a II Conferência Nacional de Igualdade Racial (II CONAPIR), que de 25 a 28 de junho reunirá cerca de 1.500 pessoas de todo o Brasil no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
 
Nos painéis e grupos de trabalho, o Poder Público e os movimentos sociais vão debater temas que vão desde a titulação de terras quilombolas até as cotas no ensino superior, passando pelo respeito às religiões de matrizes africanas, programas de saúde específicos para a população negra e o combate ao racismo institucional.
 
As demandas específicas dos povos indígenas e de etnia cigana também serão debatidas na II CONAPIR. A Conferência terá seis eixos centrais: Terra; Educação; Trabalho e Renda; Segurança e Justiça; Saúde e Políticas Internacionais.
 
Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e demais autoridades do Governo Federal, a abertura solene da II CONAPIR terá início às 18h do dia 25.
 
Os delegados, eleitos em etapas municipais, regionais, estaduais e também na Plenária Nacional de Comunidades Tradicionais, estarão reunidos diariamente entre 9h e 18h para aprofundar o debate em torno das propostas encaminhadas à Comissão Organizadora, atualmente em fase de sistematização. O relatório final da II CONAPIR será apresentado e votado na plenária final, no dia 28, entre 14h e 18h.II CONAPIR é tema de reportagem no rádio e na TV A partir de segunda-feira, dia 22 de junho, a TV NBR e o programa de rádio A Voz do Brasil exibirão uma série de três reportagens sobre a II CONAPIR, abordando os avanços, os desafios e as perspectivas da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial.  As reportagens serão veiculadas no telejornal NBR Notícias (às 12h30 e 19h30) e às 19h no programa A Voz do Brasil.A TV NBR é a TV do Governo Federal, podendo ser captada por cabo (SKY e NET) ou por antena parabólica. Assim como a Voz do Brasil, que tem os primeiros 25 minutos reservados às informações do Poder Executivo, ambos os programas jornalisticos são produzidos pela Diretoria de Serviços da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que apoia a II CONAPIR. A EBC Serviços também fará cobertura especial durante a Conferência. Para outras informações sobre as reportagens, acesse http://www.ebcservicos.ebc.com.br.  

 
     
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